29/01/17

Pyongyang

Pyongyang, capital da Coreia do Norte é uma cidade peculiar, com mais de 2 milénios de existência, que foi completamente devastada na 2ª Grande Guerra e na Guerra da Coreia. Foi reconstruída praticamente do zero ao estilo do clássicismo socialista ou soviético. Até há alguns anos, as poucas imagens que nos chegavam da mesma eram de ruas desertas de pessoas e de trânsito automóvel. Nos últimos anos essa tendência parecia mudar e o que encontramos foi de facto diferente. Apesar de ser uma cidade bastante calma tendo em conta o seu tamanho e população, as ruas estão longe de estar desertas e os transportes públicos sempre à pinha.

A cidade é rasgada pelo rio Taedong, que conta com várias ilhas nesta região. Numa delas, a mais central, é onde se situa o "famoso" hotel Yanggakdo que aloja por agora a maior parte dos turistas que visitam a cidade. A norte da ilha, distribuem-se pela duas margens as atracções mais icónicas de Pyongyang, num alinhamento quase perfeito. Enquanto a impressionante praça Kim Il Sung (onde decorrem as paradas militares) na margem oeste se encontra em perfeito alinhamento com a torre Juche na margem leste, um pouco mais a norte temos desta feita o monumento Mansudae na margem oeste em perfeito alinhamento com o monumento do Partido dos Trabalhadores da Coreia na margem leste. Uma presença constante no horizonte da cidade, é o "famoso" Hotel Ryugyong. Esta monstruosidade piramidal de 105 andares começou a ser construída 1987, altura em que seria o mais alto hotel do mundo. Contudo, com a queda da União Soviética e consequente crise económica que se abateria sobre o país, a sua construção foi suspensa em 1992. Já em 2008 reiniciaram-se os trabalhados, tendo o exterior do edifício ficado concluído. Entretanto a abertura do hotel tem vindo a ser sucessivamente adiada mas este continua a dominar o horizonte da cidade:

Na margem oeste, fica o Arco de Triunfo: similar mas maior do que o de Paris, com os seus 60m de altura é o segundo maior do mundo, apenas atrás do Monumento da Revolução na Cidade do México. Foi precisamente por aqui que começou a nossa visita à cidade, ainda no final do dia da chegada ao país, no caminho da estação ferroviária para o hotel. O arco homenageia a resistência do povo coreano à ocupação japonesa, apresentando as datas do início da luta pela libertação (1925) e a da consumação da mesma (1925).

Mesmo ao lado deste, há um extenso mural que representa o fundador da nação - Kim Il Sung - no seu primeiro discurso vitorioso após o regresso a Pyongyang.

Após o primeiro jantar num dos vários restaurantes do hotel, não havendo a possibilidade de sair do hotel, exploramos a "cave" do mesmo, onde se encontram vários espaços de lazer como piscina, spa, sala de bilhares ou sala de karaoke. Esta última era a única que tinha coreanos e não ocidentais, pelo que foi automaticamente escolhida. Rapidamente nos cederam lugar nos bancos da frente e presentearam-nos com uma estrondosa representação da música "We will climb Mount Paektu", que aparentemente é um grande "hit" no país. Logo de seguida, fomos convidados a cantar e terminamos a noite a dialogar com os 3 norte-coreanos que lá estavam para além dos funcionários. O mais velho, um senhor nos seus 50s, explicou-nos que havia sido embaixador em Berlim e como tal, falava bem alemão mas muito mal inglês. Os outros dois, que pareciam ser seus filhos, estavam intrigados pela nossa presença, sendo que apenas um falava inglês. Rapidamente quis saber porque decidimos visitar o país e a nossa opinião acerca do mesmo, bem como da forma como o país é tratado pela imprensa estrangeira. Respondemos com algumas reservas e quando tentamos fugir à última questão, este não ficou convencido com a nossa resposta (mentimos dizendo que o tratamento da imprensa portuguesa era "normal" e dava uma "boa imagem" do país), afirmando que a imagem dada no estrangeiro ao país era "errada". O senhor mais velho, provavelmente seu pai, disse-lhe algo em coreano que o levou a refrear o ímpeto das questões e pouco depois fomos todos descansar.

A vida no país começa cedo e os turistas não são poupados, uma vez que praticamente todos os dias acordávamos pelas 6h. Começamos o dia seguinte, um Domingo, com a visita àquele que será eventualmente o local mais "sério" de toda a visita ao país, o Palácio do Sol Kumsusan. Construído na década de 70, fora inicialmente projectado como residência oficial de Kim Il Sung. Após a morte do mesmo em 94, o filho Kim Jong Il decidiu renovar o edifício transformando-o no mausoléu do pai. Já em 2012, após a morte de Kim Jong Il, este foi novamente renovado de forma a poder alojar e expor o corpo deste, de forma semelhante à do pai.

A visita a este "palácio" demora várias horas embora na realidade não se esteja mais de um minuto em "contacto" com os líderes falecidos. Tudo começou com uma longa espera no bengaleiro - onde ficam todos os pertences incluindo casacos e cachecóis - por um representante do MNE, sem o qual é impossível a realização de visitas. Enquanto aguardávamos, vimos vários grupos de habitantes locais a chegar vestidos a rigor. Os próprios turistas devem vestir-se de forma adequada para poder entrar, sendo que aos homens é aconselhado o uso de camisa e gravata. Após a passagem pela segurança e detectores de metais, segue-se uma longa viagem em múltiplos tapetes rolantes, em duas filas que com a preciosa ajuda dos guias se mantém sempre em ordem, até se chegar a uns dispositivos em túnel que nos "aspiram" eventuais impurezas mesmo antes da entrada para as salas onde se encontram os sarcófagos. Aqui as filas realinham-se em várias filas de 4 pessoas que irão circum-navegar o sarcófago propriamente dito, fazendo vérnias de todos os ângulos excepto da cabeça. No percurso de regresso, cruzamo-nos com múltiplos grupos de locais no sentido inverso, que aproveitavam o dia de "descanso" para visitar o mausoléu. À saída, pedimos para tirar fotos com um destes grupos e assim o fizemos.

Partimos de seguida para outro local altamente reverenciado pelos norte-coreanos, o Cemitério do Mártires Revolucionários, dedicado aos heróis que lutaram pela libertação do jugo imperialista japonês. Este situa-se no Monte Taesong, nos arredores de Pyongyang, e tem uma vista soberba. Após a subida de uma ampla escadaria, chega-se ao cemitério propriamente dito onde se alinham campas com os respectivos bustos ladeadas por brancas estátuas representativas de soldados em combate. Seguindo pelo meio das campas, chega-se ao topo do monumento onde uma enorme bandeira vermelha com o símbolo do partido serve de fundo às campas mais importantes, nomeadamente a de Kim Jong-Suk, primeira esposa de Kim Il Sung e mãe de Kim Jong Il.

Regressamos ao centro da cidade para visitar o icónico monumento Mansudae, onde se encontram duas enormes estátuas de bronze dos falecidos líderes Kim Il Sung e Kim Jong Il. De fundo, um painel com mosaicos representando o Monte Paektu - sagrado para os coreanos - e dos lados, estátuas de soldados representando as duas grandes guerras em que a nação se envolveu: a libertação dos japoneses e a Guerra da Coreia. Mesmo ali ao lado, a estátua Chollima com o seu cavalo voador representa o espírito heróico do povo norte coreano e foi construída em honra da rápida reconstrução do país no pós-guerra. Nas traseiras da colina onde se encontram estas estátuas, localiza-se o Museu da Revolução Coreana.

Daqui fomos levados por uma das principais avenidas da cidade, onde nos cruzamos com a Assembleia Mansudae - o parlamento norte-coreano - e com o moderno Teatro Popular Mansudae. Rapidamente chegamos ao parque Hakdanggol, ladeado por mais edifícios imponentes: a lateral da Casa de Estudos do Grande Povo e o a frente do Teatro de Artes Mansudae. No centro do pequeno parque, um complexo de fontes que habitualmente jorram água a 80m de altura enquanto figuras humanas rodam e "dançam" sobre as águas. Digo habitualmente pois como a cidade se preparava para receber o rigoroso inverno, as fontes encontravam-se já vazias e desligadas.´


Visitamos o Museu da Libertação Vitoriosa, composto por vários espaços interiores e exteriores, que se dedicam uma vez mais à guerra pela independência dos japoneses e à guerra da Coreia. No entanto, toda a nossa visita ao mesmo se dedicou a dois espaços relacionados com a segunda. Primeiro visitamos um espaço exterior coberto onde é exposto material de guerra capturado ao exército americano durante e após a guerra, com principal destaque para o navio USS Pueblo, o único navio norte-americano que se encontra actualmente "apreendido". Prosseguimos a visita não pelo edifício principal, cujo interior se encontra em renovação, mas sim por um edifício circular rotativo recém construído com o intuito de ilustrar como decorreu a batalha de Daejon, uma da mais importantes da guerra da Coreia.

Para o final da nossa visita a esta cidade, ficaram as atracções que mais me impressionaram na cidade: a torre Juche, o monumento à fundação do Partido dos Trabalhadores e a Casa dos Estudos do Grande Povo, da qual ainda só conhecíamos duas fachadas. Como mencionei no princípio, a torre encontra-se alinhada com esta última e com a Praça Kim Il Sung (onde ocorrem as paradas), ao passo que o monumento ao Partido se encontra alinhado com o monumento Mansudae.

Visitamos a torre ao por do sol e a vista de 360º do topo é soberba! A subida, de elevador, custa 5 euros e é opcional. Um curiosidade prende-se com as placas comemorativas das várias delegações estrangeiras que visitaram a mesma: as placas do "Comité Português de Estudos do Kimilsunismo" ocupam um lugar de destaque (na realidade 4 lugares) mesmo no centro.





A viagem até ao monumento que celebra a fundação do Partido dos Trabalhadores é relativamente curta, uma vez que se encontram no mesmo lado do rio. No entanto com o trânsito da "hora de ponta" - há trânsito em Pyongyang, pouco mas ele existe! - já só lá chegamos de noite. Como em quase tudo na cidade, tudo foi planeado ao pormenor: além do alinhamento com o Mansudae na outra margem do rio, a plataforma que sustenta o martelo, a foice e o pincel encontra-se também alinhada com os 2 prédios residenciais que lhe fazem pano de fundo.

Neste nosso último dia na cidade, o tempo esvaía-se mas ainda conseguimos "encaixar" uma visita ao Palácio das Crianças (não confundir com o maior e mais recente Palácio Mangyongdae) onde os mais virtuosos têm aulas de música, dança, pintura ou artes marciais.

A nossa visita à cidade e ao país, terminou na Casa de Estudos do Grande Povo onde pudemos visitar várias salas de estudo, umas em plena actividade, outras vazias de gente. No entanto, o ponto alto desta visita foi mesmo a varanda virada para a iluminada praça Kim Il Sung com a chama "acesa" da torre Juche de fundo. Nas proximidades da praça visitamos, no caminho para a Casa de Estudos, uma libraria local onde vendiam essencialmente livros relacionados com a ideologia do regime e sobre o país, bem como os habituais souvenirs norte-coreanos. 



Neste último dia, tivemos ainda a oportunidade de viajar no belíssimo metropolitano de Pyongyang, onde o bilhete custa cerca de 5 cêntimos. Viajamos por duas linhas, ficando a conhecer 3 estações.  Era domingo mas a maior parte das composições estavam à pinha. Numa das estações cruzamo-nos com uma dos novos veículos que estão a substituir os antigos, neste que é um dos metros mais profundos do mundo. Tal como o de Moscovo, este é em si mesmo um "museu", com as estações decoradas com murais de mosaicos alusivos à revolução e estátuas dos líderes.

Pyongyang é uma cidade agradável e calma, apesar de estar em constante mutação nos últimos anos, pelo que é uma daquelas cidades que gostaria de revistar dentro de poucos anos. Termino o post com o único grande monumento que fica nos limites da cidade, sobre a auto-estrada que liga a cidade à sua fronteira a sul, o Arco da Reunificação:


02/01/17

Como chegar à Coreia do Norte?


A ideia de visitar a  Repúblico Popular Democrática da Coreia (ou como é vulgarmente conhecida, Coreia do Norte), foi amadurecendo ao longo de mais de uma década. Uma vez que íamos estar em Pequim e que os preços das tours para este peculiar país caíram nos últimos anos, decidimos que estava na hora de lá ir. Contrariamente ao que muita gente possa crer, é bem fácil entrar na Coreia do Norte: basta reservar uma viagem numa das agências autorizadas, preencher um formulário para obtenção do visto (similar ao da China ou Rússia) e tratar do mesmo.

Quem estiver interessado em saber os motivos que me levaram a querer visitar este país, pode passar por este post de Agosto de 2015.

Este último passo, que poderia ser o problemático, é na realidade também ele muito fácil. Uma vez que não há representação diplomática do país em Portugal, optamos por pagar 50 euros à agência que organizou a nossa viagem para tratar dele por nós na China. A alternativa seria enviar o passaporte para a embaixada em Londres e embora o preço seja inferior, com os gastos em correios fica ela por ela. Desde que se apresente um comprovativo da reserva da tour e se preencha devidamente o impresso, o visto é praticamente garantido (um dos nossos colegas de viagem tratou do dele na embaixada em Berlim sem qualquer problema). Se o visto for tirado na China, não fica no passaporte mas sim num “cartão do viajante” que no final é recolhido na fronteira.




A maior parte dos viajantes parte de Pequim, seja de avião ou de comboio. Qualquer cidadão de qualquer país pode entrar por qualquer uma das vias, excepto os dos EUA que só podem entrar (e sair) de avião e os da República da Coreia (Coreia do Sul), que não estão de todo autorizados a viajar para o país na actualidade (até há poucos anos podiam visitar mesmo sem visto algumas zonas no sul do país). Há ainda voos semanais a partir de Xangai e um comboio proveniente de Vladivostok - uma continuação do trajecto clássico do transiberiano - mas em teoria (e digo-o desta forma pois há relatos em sentido contrário) a travessia desta fronteira por parte de viajantes deixou de ser permitida.

Nós tínhamos feito o trajecto Transmongoliano porque gostamos de viajar de comboio, logo optamos por entrar e sair do país desta forma, que aconselhamos vivamente pois assim conseguem ter uma ideia de como são as regiões rurais do interior do país. A viagem desde Pequim tem início pelas 17h e dura 27h, sendo que “apenas” 7h, no período diurno, são em território norte-coreano. No percurso inverso, a viagem começa pelas 10h e a paragem na fronteira é suficiente para jantar e ainda conhecer a estátua de Mao na praça em frente à estação.

A travessia da fronteira, talvez por tudo o que já ouvimos e lemos sobre o país e o regime que o governa, é sempre um momento de tensão para qualquer viajante. O processo na entrada foi o mais exaustivo porque passamos, na saída bem mais relaxado. O guia ocidental do nosso grupo, o jovem e simpático Rayco das ilhas Canárias, explicou-nos todas as formalidades ainda antes de entrarmos no comboio coreano na estação de Dandong, no lado chinês da fronteira.

Um ou dois minutos após a partida do comboio atravessa-se a ponte sobre o riu Yalu, fronteira natural entre os países. Nesta travessia é possível contemplar bem de perto aquela que será a principal atracção de Dandong, o que resta da antiga ponte que ligava os dois países e que foi destruída pelos bombardeamentos americanos na Guerra da Coreia. Umas centenas de metros depois de chegar ao lado coreano, o comboio para na estação de Sinuiju - principal cidade fronteiriça do país, que se encontra a uns bons kms dali - e é aqui que todo o processo tem lugar. Há 3 impressos a preencher, um para a imigração, outro para a alfândega e ainda um terceiro por questões de saúde pública, onde é necessário mencionar os países por se passou recentemente bem como eventuais condições de saúde contagiosas. 

Os papeis vão sendo recolhidos um a um por soldados, juntamente com os passaportes e vistos. Um deles inspecciona as malas - no meu caso tive mesmo que esvaziar praticamente toda a mala - ao passo que todos os artigos electrónicos, de declaração obrigatória num dos impressos, são colocados em cima da mesa do compartimento para serem inspecionados. Aqui a revista foi menos exaustiva - até porque havia uma mesa completamente coberta deles - e a senhora mostrou-se mais interessada por máquinas fotográficas e portáteis. Nesta fase do processo é de facto importante ter um guia que fale algumas palavras de coreano ou mandarim pois ninguém fala inglês. Após a inspecção, são devolvidos os passaportes e cartões com o visto e a viagem prossegue com umas 3 paragens pelo caminho. Todo o processo leva umas duas horas, uma vez que esta revista se estende a todos os passageiros, incluindo chineses e locais.

O comboio, de fabrico coreano, era moderno e em tudo similar a um comboio normal chinês mas com o corredor mais estreito. Contrariamente ao que lemos em alguns relatos, mesmo após a fronteira o comboio tem vagão restaurante e as refeições servidas a bordo têm preços razoáveis, sendo possível pagar em remimbi chinês ou em euros. O troco é sempre fornecido numa destas moedas, nunca em won norte-coreano. 



Há ainda a passagem relativamente frequente de carrinhos de venda de snacks e bebidas. Algo que também é ambíguo nos vários relatos que lemos, e pode ter mudado recentemente, é o grau de contacto com norte-coreanos no comboio. Os nossos lugares eram num compartimento para 6 pessoas, onde viajava connosco uma família de norte-coreanos que vinham da China. O “pai de família” era dentista e falava inglês, pelo que rapidamente se meteu à conversa connosco não só para saber de onde vínhamos e porque decidimos visitar o país mas também para nos falar das virtudes do seu país, como saúde, educação e habitação gratuitas. Não vimos qualquer “rede” - como lemos em alguns relatos - a dividir o comboio mas é um facto que a certa altura as funcionárias do restaurante nos foram chamar quando seguíamos para lá do restaurante. Nunca chegamos a perceber porquê, até porque a carruagem parecia exactamente igual à nossa.


A viagem de comboio começa em terreno montanhoso, como é quase todo o norte e centro do país, e permite vislumbrar um pouco do quotidiano dos norte-coreanos fora das cidades: pequenas aldeias de casas típicas, praticamente todas iguais, alternadas com pequenas cidades de blocos ao estilo soviético. O campos são trabalhados manualmente, por toda a gente incluindo soldados, e nas estradas vêm-se alguns camiões, muito poucos carros ou motas, deslocando-se as pessoas maioritariamente de bicicleta, a pé ou de carroça. 










Com o aproximar da capital, chegam terrenos mais planos e alguma indústria, bem como o... anoitecer. À chegada a Pyongyang, os guias norte coreanos aguardam-nos na estação de comboios e passam a ser companhia constante durante toda a viagem.

Os "4 em linha" à direita eram os guias dos nossos grupos.

A viagem de avião é, segundo nos disseram, uma viagem normal (que mais poderia ser?) onde também é perfeitamente possível viajar ao lado de cidadãos do país. À chegada ao aeroporto, a inspecção é bem menos rigorosa aproximando-se de uma qualquer chegada a outro país com os habituais procedimentos: imigração, alfândega, recolha de malas e saída do aeroporto. Uma vez mais, os guias aguardam os turistas e acompanham-nos até ao hotel. Os voos de Pequim são todos na Air Koryo, companhia aérea norte-coreana, e têm frequência trisemanal. A companhia aérea tem no seu site voos com partidas de Shenyang, Xangai, Vladivostok e Bangkok com frequência semanal. 

Estação de Comboios de Pyongyang
Por fim, a saída do país foi bem tranquila. Como parte do grupo ficava mais um dia no país, partimos de comboio sem o nosso guia com mais três pessoas que tinham entrado de avião, pelo que o nosso guia nos pediu para os orientar (embora tenha entregue a toda a gente um folha com todos os passos a seguir). Na fronteira tivemos que preencher novamente impressos para a imigração e alfândega e repetiu-se a inspecção mas numa versão mais light: ninguém quis que abríssemos as malas e passaram uma vistoria rápida por algumas das fotos que tinha na minha máquina (viram umas dezenas em várias centenas delas), sendo que foi a única a ser inspecionada. Minto, um outro soldado quis “inspecionar” a action cam da Sony mas parecia mais interessado em perceber o que aquilo era e como funcionava do que nos vídeos propriamente ditos.