02/12/16

Cartão Revolut, o nosso review



Quem viaja sabe o dinheiro que os nossos "queridos" bancos nos cobram por levantamentos no estrangeiro. Juntando taxas de levantamento, de câmbio e respectivos impostos e comissões, com facilidade se ultrapassam os 10 euros dependendo do banco e do cartão. Levar dinheiro para trocar é um opção mas implica sempre algum risco (de perda ou roubo) e geralmente as casas de câmbio praticam taxas inferiores às reais (e quando não o fazem cobram comissões).

Recentemente decidimos aderir ao Revolut, um cartão Master Card pre-pago que alegadamente não cobra taxas. Após 2 meses a utilizar o dito para praticamente todos os levantamentos e pagamentos com cartão, decidimos partilhar as nossas primeiras impressões acerca do mesmo.

A adesão é extremamente simples. Basta fazer o download de uma aplicação para um smartphone, introduzir os dados de um cartão de débito ou de uma conta bancária e voilá, temos um cartão virtual criado. Não se paga nada e este cartão já funciona para pagamentos on-line, como se de um MBnet se tratasse. Convém completar a confirmação do cartão (em tudo similar à do PayPal) a fim de levantar os limites aos valores que se podem levantar e pagar. O pedido de um exemplar "físico" do cartão também é gratuito, demorando até 9 dias úteis a ser entregue. Se precisarem dele com mais urgência, o envio tem o custo de 20 euros e geralmente é entregue até 48h depois do pagamento. No meio dos preparativos deixamos isto para a última e recorremos à segunda opção, tendo o cartão chegado do Reino Unido dentro do prazo previsto. À data, o cartão pode ser carregado com Euro, Libra Esterlina e Dólar Americano, sendo possível cambiar entre as 3 moedas na própria aplicação. Os carregamentos aparecem no extracto bancário como uma simples compra e o nosso banco não cobra uma comissão ou taxa que seja pelo mesmo. É ainda possível enviar e receber dinheiro (como no PayPal) mas como até agora não utilizei essa funcionalidade, vai ficar de fora deste review.

A perspectiva de um cartão sem taxas deixa qualquer um céptico quanto as taxas de câmbio utilizadas. A primeira divisa que utilizamos, o rublo russo, é uma das duas em que a empresa não garante taxas iguais às dos bancos. No entanto, praticamente todos os levantamentos que fizemos tinham taxas muito próximas das praticadas pelos 2 bancos cujos cartões utilizei (por me ter esquecido de carregar o Revolut) no país, o Santander-Totta e o Novo Banco. Mesmo sendo ligeiramente menos favoráveis, compensavam (e muito) as já mencionadas taxas e comissões.

Esporadicamente o sistema informático do Revolut encontrava-se instável, pelo que as transações demoravam a aparecer na aplicação ou eram mesmo recusadas. Tudo isto aparece praticamente em tempo real na aplicação (com ligação à Internet) pelo que é fácil verificar se a operação está pendente, concluída ou se foi declinada. É também possível consultar a taxa de câmbio que nos será aplicada em tempo real.

Uma outra vantagem é o sistema de apoio ao cliente incorporado na aplicação, sob a forma de chat. Geralmente respondem num espaço de minutos, tendo o máximo tempo de espera de cerca de 20/30 minutos. Convem mencionar que este serviço tem um horário definido, regendo-se pelo fuso horário do Reino Unido. Fora deste horário, aparece como "offline". Ainda assim, bem melhor do que gastar uma fortuna ao telefone (quando atendem) a ligar para o nosso banco.

Claro que nem tudo é perfeito com o cartão, havendo vários aspectos menos positivos a ter conta e que deverão melhorar. Um deles é precisamente o apoio ao cliente. Para questões relativamente simples, são rápidos e eficazes mas quando a coisa se complica um bocado o caso muda de figura. Recentemente fiz uma compra avultada em Hong Kong e optei por pagar em dólares de Hong Kong em detrimento de libras (em Hong Kong é prática habitual perguntarem se querem o pagamento efectuado na moeda local ou na moeda "original" do cartão - que é emitido no Reino Unido). Optei pelo pagamento na moeda local (ao perceber que a taxa de câmbio era mais favorável do que a oferecida pela banco de Hong Kong) e qual não é o meu espanto, aparece-me debitado um valor 46 euros acima do previsto e com a conversão à partir de libras. Perdi cerca de 3 horas com o serviço de apoio ao cliente que imputou a responsabilidade ao banco do comerciante e que recomendou que reclamasse junto do mesmo. "Confirmaram" que este me aplicou uma conversão para libras com uma taxa pouco favorável. Assim o fiz e na dita loja lá ligaram para o banco a fim de esclarecer a situação. Mais umas horas de espera e estes declinaram tal responsabilidade. No meio do "jogo do empurra", estava decidido a esquecer os 46 euros até que subitamente a operação muda de "pendente" para "concluída", tendo o valor sido ajustado e o balanço do cartão rectificado. Quando o comuniquei ao serviço de apoio ao cliente, limitaram-se a pedir desculpa pelo "mal entendido". É relativamente frequente as operações aparecerem como "pendentes" mesmo quando claramente estão concluídas, o que neste caso "reteve" 46 euros indevidamente por uns 2 dias. Também ocorreu ter uma transação online (no caso um bilhete de comboio) que foi declinada segundo o comerciante e que por uns agonizantes 10 minutos apareceu com consumada na aplicação, sendo posteriormente devolvido o montante.

Outro aspecto a ter em conta, é o facto de não existirem taxas de levantamento até um limite de 550euros 200 euros mensais (o valor foi substancialmente reduzido em meados de Dezembro de 2016), sendo a partir daí cobrada uma taxa de 2% (algo que é mencionado na política de utilização do cartão e que surge sob a forma de notificação na primeira vez que se ultrapassa esse limite. Até aqui tudo bem, até porque nunca atinge valores comparáveis com os dos bancos. O que não é mencionado na política de utilização e obviamente teria que lá constar (consta da FAQ que obviamente serve para tirar dúvidas e não para informar todos os utilizadores das regras de utilização), é que ao fim de semana cobram uma taxa para cobrir potenciais perdas em relação à última taxa de sexta-feira. Além disso, mesmo que não haja perda alguma ou até mesmo que a taxa de segunda-feira seja mais favorável, não há lugar a qualquer devolução de dinheiro. A taxa é de 0,5% para as principais divisas, 1% para as restantes e 1,5% para o Rublo Russo e o Baht Tailandês. Portanto, o cartão "sem taxas" tem na realidade pelo menos 3 taxas, as 2 já mencionadas e mais uma para carregamentos com cartão de crédito (e de débito no caso de cartões em dólares americanos). No nosso caso esta é de 1%, no caso de um cartão em dólares, 1% se for de débito e 4% se for de crédito.

O que me leva ao penúltimo "problema" com que me deparei - que é facilmente ultrapassavel carregando o Revolut a partir da conta bancária - que é precisamente a introdução dos dados dos nossos cartões para carregamento. Este processa-se através da câmara do telemóvel apontada ao cartão mas se os números e nome no cartão tiverem pouco relevo ou forem de um material reflector (cartões prateados, dourados, metalizados, etc) pura e simplesmente não funciona. 

Um último inconveniente a ser mencionado, é que apesar de o cartão poder ser utilizado para 90 divisas diferentes e supostamente ser aceite em todas as máquinas que aceitem Master Card, foram várias as ATMs Chinesas que me recusaram o cartão ou levantamentos com o mesmo. Várias funcionavam com o Master Card do banco, outras pura e simplesmente não gostavam de nenhum dos meus cartões.

Posto isto, penso que o balanço é ainda assim bastante positivo. A aplicação é segura (requer um código ou touch-id para ser acedida) e permite desactivar pagamentos com os dados do cartão e até por banda magnética, para evitar que seja clonado (o cartão tem tecnologia contactless). É ainda possível bloquear (e desbloquear) o cartão na aplicação, bem como alterar o pin.
No final, se fizermos as contas, poupa-se bastante dinheiro e há um melhor controlo dos gastos em tempo real. Se uma pequena empresa recém criada consegue funcionar e ter lucros com estes valores modestos, é a mera confirmação que as "taxas e comissões" dos bancos são uma mera extorsão aos clientes cujo dinheiro era suposto estes protegerem (às quais podemos juntar anuidades de cartões). 

Se algo não correr aparentemente como previsto, nada de desespero. Entrem em contacto com o serviço de apoio ao cliente e certamente a resposta será mais célere (e o contacto mais económico) do que a do nosso banco. Se sobrar alguma dúvida, não hesitem em perguntar!


5 comentários:

  1. "O pedido de um exemplar "físico" do cartão também é gratuito, demorando até 9 dias úteis a ser entregue."

    Alerta - Não é tãoo grátis assim.

    Neste momento cobram 6€ para enviar o cartão fisico!
    E cobram 1€ para adicionar um cartão de débito no momento de criação de conta.

    Cuidado. E isto é só o inicio...

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    1. Olá! Baseei-me na minha experiência em Setembro passado, em que efectivamente o cartão era gratuito (eu paguei 20 euros senão não chegava a tempo). Também nunca paguei nada para adicionar cartões, curiosamente adicionei um há 15 dias. Mas sim, têm vindo a aumentar as "taxas" e "taxinhas", mas continua a compensar largamente em relação ao banco. Além disso, o aparecimento de concorrência (Monzo, ViaBuy, etc) acabará por auto-limitar essas taxas.
      De qualquer modo, obrigado pelo update, assim que puder acrescento essa informação ao post:)

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    2. Tive azar no timing... estive a ler os comentários no face deles e pelo que parece lançaram um serviço pago "premium" em que incluem o "free" nos envios de cartões como uma mais valia, tirando regalias aos standard.

      Ficou a dica.

      Infelizmente se soubesse disto em antemão, para uma pessoa como eu, possivelmente para já nao teria investido pois ainda são várias as criticas à instabilidade do sistema.

      O site deles tb não ajuda a clarificar as dúvidas devidamente.

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  2. É possível carregar o cartão através de uma outra conta bancária, sem ser a que está associada ao cartão de crédito?

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    1. Olá Sónia! Sim, é possível carregar a partir de uma conta bancária e agora também é possível adicionar os dados do cartão manualmente, uma vez que através da câmara do tlm era impossível ler mais de metade dos meus cartões.

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