19/08/17

O nosso kit fotográfico



Uma vez que frequentemente nos questionam acerca do material fotográfico a utilizar em viagem, decidi iniciar uma nova rubrica sobre fotografia em viagem. E como não poderia deixar de ser, o primeiro post terá como objectivo descrever sumariamente o nosso kit de viagem, bem como abordar algumas das necessidades específicas do viajante.

Não irei alongar-me com especificações técnicas demasiado exaustivas, cingindo-me apenas àquelas que considero mais relevantes nestes contexto. Utilizamos material da Canon (ou compatível com) mas é relativamente fácil encontrar material equivalente da Nikon ou mesmo da Sony.

Câmaras

A nossa primeira DSLR (digital single lens reflex) foi adquirida pouco tempo antes da nossa primeira viagem à Ásia, a Canon 1100D. É uma das DSLRs mais "básicas" da Canon mas ainda assim sentimos uma evolução espantosa com este "salto" a partir das cameras compactas. Com 12MP e 9 pontos de focagem, esta camera de sensor crop cumpre a sua função na maioria das situações e é relativamente fácil de utilizar, depois de nos familiarizarmos com ela. É ainda uma camera relativamente compacta, muito leve e cuja bateria dura uma eternidade, principalmente quando comparada com modelos superiores.



 
Sendo uma camera de nível "básico", tem obviamente as suas limitações, sendo a meu ver as mais importantes as que passo a citar:

- buffer lento com ficheiros RAW (4s após 3 disparos consecutivos), que nos condiciona quando queremos captar objectos em movimento;
- ausência de medição "pontual", o que dificulta uma correcta exposição quando apenas nos interessa uma pequena parte específica do enquadramento, como por exemplo, ao fotografar a lua;
- limitações ao nível da filmagem, quer pela ausência do modo Full-HD, quer pela quase completa automatização durante o modo de filmagem;
- ISO relativamente baixa (máx. 6400), que acaba por ser uma limitação menor uma vez que acima dos 1600 as fotos ficam com bastante ruído.

Por estes motivos e porque somos dois, acabamos por adquirir uma segunda DSLR da Canon já em 2016, aproveitando os preços simpáticos de Hong Kong. Assim, após muita ponderação acabamos por optar pela Canon 80D.


Esta camera recente, vem equipada com sensor crop mas com 24MP. Tem ainda 45 pontos de focagem (ao invés dos 9 da 1100D), dispõe de medição pontual e de Full HD no modo de filmagem, sendo possível alterar todos os parâmetros de forma manual durante a filmagem.
O buffer é consideravelmente mais rápido, já para não dizer que atinge a velocidade de disparo atinge uns impressionantes 7fps. O ecrã táctil articulado é uma vantagem, bem como a selagem do corpo da camera (ausente na 1100D). A ISO vai até 25600. O pequeno visor na parte de cima, os botões de acesso directo a várias configurações (ISO, tipo de medição, ponto de focagem, modo de focagem, modo de disparo) bem como a roda com joystick à direita do LCD principal são outros bónus que nos poupa muito tempo na hora de preparar a foto.



Como seria de esperar, a bateria dura menos tempo e a camera tem já um peso considerável (730g), sendo estas as duas principais desvantagens relativamente à nossa velhinha 1100D, que pesa apenas 495g.

Lentes

A escolha da câmara é sem dúvida importante mas como já mencionei, uma câmara básica como a 1100D faz praticamente tudo, com mais ou menos limitações, e o mesmo se aplica a outros modelos mais económicos direccionados a principiantes. Já a escolha de lentes é um processo mais complexo e com implicações directas no resultado final.

A primeira escolha prende-se com o tipo de lente, isto é, zoom vs prime.
Geralmente os modelos mais baratos são vendidos em "kit", em que se adquire a câmara já com uma lente praticamente ao preço do corpo da câmara. E neste kit geralmente é incluída uma lente zoom, isto é, com distância focal variável. A nossa 1100D não foi excepção e veio com a EFS 18-55mm f/3.5-4.5 IS II. Os modelos mais recentes geralmente vêm equipados com uma versão mais moderna desta lente, mais raramente com outras lentes zoom ou com uma prime.






Para um principiante é de facto a lente que faz mais sentido: relativamente barata, com estabilização de imagem (IS) e versátil no que respeita à distância focal, que vai desde grande angular (18mm) até ao princípio da telefotografia, nos (55mm). O principal "problema" desta lente, é mesmo o mecanismo de autofoco (AF) ruidoso, o que nos refreia de filmar com ela. Acresce a abertura variável (de f/3.5 nos 18mm até f/4.5 nos 55mm), que também está longe de ser o ideal para filme. Felizmente a versão mais recente da lente já conta com o novo motor STM, pelo que é bem mais silenciosa.

18mm | ISO 100 | f/9 | 1/80
Já no que respeita a fotografia, é uma lente competente e que não deixa ninguém ficar mal desde que utilizada no contexto adequado. Em situações com pouca luz torna-se complicado fotografar sem uma ISO elevada ou sem tripé, mas geralmente nada que não se resolva.

28mm | ISO 200 | f/4 | 1/40
21mm | ISO 100 | f/3.5 | 1/160
50mm | ISO 800 | f/5.6 | 1/80


Volvidos alguns anos, e após um breve curso de introdução à fotografia que me foi ofertado pela minha esposa, acabaríamos por comprar a nossa segunda lente, provavelmente aquela que tem melhor relação qualidade/preço do mercado: Canon 50mm f/1.8 STM.




50mm | ISO 400 | f/1.8 | 1/40

É uma lente pequena e leve (159g), com materiais aparentemente mais resistentes do que as versões mais antigas e tem apenas um interruptor lateral que permite alternar entre AF e MF (foco manual).
Esta lente de distância focal fixa de 50mm, que nas nossas câmaras equivalem a 80mm num sensor full frame, é excelente para retratos e mercados, bem como quando a luz escasseia. A abertura máxima de 1.8 não só lhe permite a entrada de muito mais luz como também permite desfoques intensos envolvendo um curto plano devidamente focado. O motor STM é uma mais valia e praticamente não se ouve em filmagens. Os únicos defeitos - se é que se pode apontar algum a esta lente que ronda os 130 euros - são mesmo o anel de focagem (estreito, próximo da frente e roda sem limite) e o facto da frente da lente expandir para a frente quando foca, embora não rode.

50mm | ISO 100 | f/3.5 | 1/1250 
Ainda assim o anel de foco parece ter melhorado em relação aos modelos mais antigos desta lente e o aspecto mais positivo é o faco de permitir a sobreposição do foco manual ao AF. Em sensores crop os 80mm efectivos também são úteis para fotografar a uma distância razoável em mercados menos "amistosos" de turistas ou mesmo para fotografia de rua.

50mm | ISO 100 | f/1.8 | 1/200

A nossa segunda aquisição foi uma lente grande angular. A escolha acabou por recair na nova Canon EFS 10-18mm f/4.5-5.6 IS STM.



Esta é aquela lente em que tudo cabe na imagem, desde extensas paisagens e edifícios imponentes a espaços apertados e pequenos cubículos, bem como a lente que vos irá permitir em muitas situações tirar a foto mais próxima do objecto do que a maioria pois permite enquadrar edifícios monumentais bem de perto. O motor é completamente silencioso e o anel de focagem adequado à função. O maior senão da lente é a abertura mínima de 4.5, que acaba por ser minorado pelo facto de a lente ter estabilização óptica. Aberta a 4.5 tende a apresentar uma ligeira aberração cromática nos cantos, que geralmente desaparece pelos 7.1. A qualidade de imagem impressionou-me pela positiva, apresentando uma distorção moderada (para o tipo de lente que é) mesmo a 10mm:

10mm | ISO 400 | f/4.5 | 1/2500
10mm | ISO 1000 | f/10 | 1/200
Este tem sido o kit que temos vindo a "alimentar" desde 2013. Já em Dezembro passado, a nossa EFS 18-55mm que vinha com a Canon 1100D resolveu mergulhar nas areias da Tailândia, o que levou ao funcionamento irregular do AF e à antecipação da sua substituição, pela Sigma 17-50mm f/2.8 EX DC OS USM, que irei rever mais tarde. Outra aquisição recente, também a rever mais tarde, é a teleobjectiva Tamron 70-300mm f/4-5.6 Di SP VC USD, que completa o kit com que pretendemos registar as nossas futuras viagens. Na última viagem que fizemos, à Índia, levei ainda uma das mais pequenas e mais baratas lentes do mundo, uma "relíquia" soviética a explorar num futuro post.

Links Relevantes

Canon 1100D


Canon 80D

Canon EF 50mm f/1.8 STM
Canon EFS 10-18mm f/4.5-5.6 IS STM

03/08/17

Kyaikhtiyo


Kyaikhtiyo, também conhecida como "Golden Rock", é uma montanha no estado Mon, no leste de Myanmar. É um conhecido local de peregrinação budista, onde um cabelo de buda segura uma imponente rocha dourada que parece desafiar da gravidade enquanto serve de base ao pagode propriamente dito.

É relativamente fácil lá chegar, havendo mesmo tours de um dia a partir de Yangon. No entanto, recomendo vivamente a ida até Hpa-An, pelo menos, pelo que é um bom sítio para uma paragem. As opções de alojamento são algo escassas, nós ficamos no Eternity Resort em Kinmun, mesmo à saída do povoado em direcção ao grande atractivo. O hotel em si, não sendo nada de especial, era limpo, relativamente moderno e tinha um staff atencioso. As opções de restauração, no centro de Kyaikhtiyo, não são tão escassas mas servem mais ou menos a mesma coisa em todo lado e, à data da nossa visita, poucos restaurantes tinham condições razoáveis. Ainda no que concerne à logística, é possível comprar bilhetes de autocarro para praticamente qualquer ponto do país, embora a maior parte dos que partem em direcção a ocidente passem por Yangon.



Como noutros locais do país, os locais acorrem a este local para colar folhas de ouro nesse mesmo rochedo. Há ainda a crença pagã que aqueles quem subirem 3 vezes consecutivas o monte pelo seu pé irão alcançar o reconhecimento e a fortuna.

No entanto, o melhor da festa é mesmo a hilariante, embora algo perigosa, subida motorizada do monte de 1100m de altitude. Há inúmeros camiões de caixa aberta com várias filas de bancos corridos afixados custa . Cada camião só parte, seja na subida ou na descida, quando está cheio e com alguns passageiros pendurados na traseira. O bilhete para visitar o pagode (que inclui a viagem de camião) custa 6000 kyats. Quem não quiser subir os últimos metros, pode pagar a locais para o levarem literalmente aos ombros.



À chegada, primeiro atravessa-se um pequeno mercado de souvenirs e snacks, prosseguindo para o recinto onde se encontra a rocha. Antes de alcançar, passa-se por algumas versões em miniatura, bem como por algumas salas de oração no lado oposto. As vistas são espantosas mas não pensem passar lá muito tempo pois praticamente não há sombra e o no cume do monte o sol é implacável.







A rocha "original", encontra-se numa pequena plataforma isolada por um portão com detetor de metais e um segurança. A partir daqui, só os homens - maioritariamente monges - podem passar e colar as suas folhas de ouro no rochedo.